12/10/2017

O Dinheiro

Para muitos o dinheiro é o responsável pela falência moral do homem. Aos olhos de quem assim vê, o dinheiro é a mola que dispara os gatilhos da corrupção, da luxúria, das gastanças desmedidas, da disputa pelo poder nas corporações e da aniquilação da vida pela luta desenfreada por uma segurança que nunca chega.
Na verdade, o surgimento da moeda é uma das marcas mais significativas da capacidade humana em criar soluções simples para problemas complexos. Lá  no princípio da organização social, contam os historiadores, toda a atividade econômica era baseada na simples troca: uma vaca por alguns sacos de cereal, uma carroça por sacos de sementes, um pedaço de terra por um cavalo forte e bom de trabalho.
Ocorre que este sistema, apesar de eficaz no seu princípio, começou a dar sinais de esvaziamento, tendo em vista que muitos dos produtos não são fracionáveis e também variavam de valor conforme a época do ano e a oferta. Os produtos foram, então, trocados por pedaços de metal, que podiam ser pesados e classificados conforme o grau de pureza.  Daí a dar uma forma de moeda ao metal foi uma consequência natural.
Na Idade Média, o costume era deixar com um ourives as moedas em troca de um recibo. Este documento era cambiável. Daí surgiu o papel moeda.
Como se vê é bela a história da invenção do dinheiro. Não poderia, um pedaço de papel representar todas as mazelas sociais como a corrupção, a luxúria, a ganância ou a busca desmedida pelo sucesso e por status.
O dinheiro, dizem muitos, representa uma energia. E, como tal, é neutra. Não é o bem em si, mas, também, não é o mal. Porém, o que o homem faz com dinheiro pode fazer a diferença. Qual o sentimento de quem ganha o dinheiro? Qual o sentimento de quem gasta? Qual a destinação que se dá?
A grande maioria das pessoas tem menos do que desejam. Por outro lado, mesmo aqueles que muito dispõem podem manter vivo o sentimento de que ainda não é suficiente. Isso porque, sempre haverá mais alguma coisa onde gastar. Um projeto novo, um bem novo, um investimento qualquer que, mesmo desnecessário, torna-se indispensável.  Atrás disso, surgem novos questionamentos: o que o indivíduo quer com a construção de sua fortuna? De que forma esta fortuna foi construída?
Para o pensamento raso e simplista, quase fundamentalista, o dinheiro é a raiz da desgraça.  Para outros, materialistas e, da mesma forma fundamentalistas, o dinheiro resolve: dá projeção, conforto e respeito. Sabemos que ele não é uma desgraça e nem a divina graça.
Nas escrituras consta que o homem comerá do suor do seu rosto. Ou seja, de seu trabalho sairá o fruto que deve consumir. Com as técnicas desenvolvidas ao longo do tempo, como o crediário, cartão de crédito, crédito instantâneo e outros, tornou-se comum que se coma hoje com o suor que somente pingará no rosto dentro de alguns meses. São as suaves prestações que se arrastam desequilibrando os orçamentos e gerando desgaste.
Por trás de um simples papel moeda há histórias e mais histórias de sucessos, fracassos, frustrações, angústias e loucuras de toda a ordem. Afinal, o combustível que move a máquina é valorizado. Sem ele a máquina não anda. Ela precisa andar. Quem tem põe. Quem não tem?  

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