17/11/2017

Sois Deuses

A Criação de Adão, afresco de
Michelangelo no teto da Capela Sistina 
Algumas expressões ouvidas e ditas aqui e ali, em fontes diversas, vão se constituindo como aqueles velhos enigmas que se construíram ao longo da história da humanidade. Não digo que alimente qualquer tipo de expectativa como se fosse vencer as limitações e adquirisse o direito de sair pelo mundo afora, como faziam os velhos filósofos, a semeando verdades e revelando segredos que alguém sabiamente escondeu atrás de intrincadas fórmulas e leis só conhecidas por grandes sábios ou por iniciados secretamente nas artes do conhecimento. É bem verdade que não chego a perder o sono. Mas, não dá para negar que, às vezes, uma ideia fica por dias, por meses e até por anos em algum lugar esperando a hora de que alguma conclusão apareça.

16/11/2017

O Trabalho Escravo

De vez em quando, algumas dessas grandes empresas, que gozam de muita credibilidade, de reputação forjada pela qualidade e pela visibilidade midiática, são atingidas por denúncias de uso de trabalho escravo no seu processo produtivo. O assunto nem novo é. Mas, é sempre repugnante.
A escravidão faz parte da história humana. Nas primeiras guerras, aprisionar o inimigo e torná-los escravos era parte do jogo. Não era grosseiro e desumano. Não causava repulsa. Era coisa normal. Que perdia a batalha virava coisa. Perdia nome, família, endereço, pátria. Virava propriedade de alguém. Dizia-se que os perdedores foram abandonados por seus deuses.
Como o tempo, a ferro e fogo, as coisas foram se modificando. É certo, porém, que no nosso tempo, aqui e ali, ainda há culturas que mantém viva esta tradição que revela a mais profunda brutalidade carregada pelo ser humano que vive com os pés num passado muito distante.

25/10/2017

O Bem e o Mal

Uma das maiores transformações na forma de vida da humanidade ocorreu quando pioneiros, entre eles o brasileiro Santos Dumont, conseguiram domar os céus, vencer as correntes de ventos e manter suspenso um mecanismo mais pesado do que o ar. A realização do sonho de Ícaro deu início ao encurtamento das distâncias. O mundo ficou pequeno.  Mas, a engenhosidade humana em seguida arrumou um jeito de usar o progresso para incrementar seu arsenal de guerra. Os inventores do avião não haviam perdido noites de sono para a guerra. Alguém, porém, usando da criatividade destrutiva concebeu a destruição em massa, lançando pesadas bombas nas cabeças dos inimigos. No esforço para a vitória valia mesmo sacrificar crianças, mulheres, doentes e todos os que se encontravam no campo do inimigo. Guerra é guerra.
Os sonhos dos irmãos franceses Auguste e Louise Lumière em captar  a imagem para posterior projeção de algum modo transformou o mundo do entretenimento.  O cinema enterrou de vez o show de horrores que expunha criaturas nascidas com má formação física, chamadas de aberrações da natureza. Ao invés da mulher barbada, do bezerro com cinco patas, do homem elefante, da mulher elástico e outras coisas tão em voga nos curiosos anos do final do século XIX, o público começava a ser seduzido pelos filmes  Empregados Deixando a Fábrica Lumière e a Chegada de um Trem à Estação de la Ciotat.

19/10/2017

A Mala

Fazia algum tempo que não conversava com a velha amiga. Não: ela não é velha. Antiga é nossa amizade que já registra algumas décadas. Durante este afastamento muita coisa ocorreu. Os dias são outros. Nós também somos outros. Nos tempos distantes não havia assim tanta tecnologia. Os contatos eram mais físicos, olho no olho.  Vivia-se sem celulares, sem redes sociais, sem tanto compartilhamento nem tanta postagem. A vida, talvez por isso, transcorria sem tanta pressa. As notícias, mesmo numa cidade pequena, iam deslizando preguiçosamente de boca em boca, espraiando-se nas conversas das comadres nos seus chás tardios ou no traguinho dos compadres num balcão ensebado de algum desses botecos que vendiam pão, leite em saquinho, Mumu, Bombril, farinha, açúcar, panelas, fumo em rolo, linguiça, além de algum remédio para dor de cabeça.
Disse-me que dia desses viu um impactante vídeo numa das redes sociais. A mensagem dizia que nascemos com o propósito de carregar nossa mala. E vamos atulhando a mala com os conhecimentos que vamos adquirindo ao longo da existência. Nem só aqueles conhecimentos transmitidos por fontes seguras e comprometidas com o processo de crescimento dos indivíduos. Não! A mala vai recebendo lentamente todo o tipo de material ali jogado, sem censura prévia, sem grandes deliberações nem juízo crítico.

16/10/2017

O Artilheiro de Cinco Mil Cruzeiros

Antônio da Silva
Já havia ouvido esta história. Porém, em 2013, por ocasião da edição de um vídeo sobre os 60 anos de fundação do GAO - Grêmio Atlético Osoriense, pude conversar pessoalmente com Antônio da Silva, conhecido como Santo Antônio, que atuou nos anos 50 e 60 no futebol amador por equipes de Osório e de outras cidades. Foi um desses raros prazeres de ouvir uma boa história contada por seu protagonista. 

Aos poucos as lembranças vão sumindo de sua mente. Menos mal que Antônio da Silva, o Santo Antônio, conta com o apoio da esposa Lucília Nunes da Silva. Ela é uma entusiasta, especialmente quando começa a recordar os anos de glória que ambos viveram nos campos de futebol de Osório. Ele, um polivalente atleta; ela, uma torcedora das mais aguerridas.

12/10/2017

O Dinheiro

Para muitos o dinheiro é o responsável pela falência moral do homem. Aos olhos de quem assim vê, o dinheiro é a mola que dispara os gatilhos da corrupção, da luxúria, das gastanças desmedidas, da disputa pelo poder nas corporações e da aniquilação da vida pela luta desenfreada por uma segurança que nunca chega.
Na verdade, o surgimento da moeda é uma das marcas mais significativas da capacidade humana em criar soluções simples para problemas complexos. Lá  no princípio da organização social, contam os historiadores, toda a atividade econômica era baseada na simples troca: uma vaca por alguns sacos de cereal, uma carroça por sacos de sementes, um pedaço de terra por um cavalo forte e bom de trabalho.

27/09/2017

Goebbles tinha razão

Joseph Goebbles
Uma mentira repetida um sem-número de vezes vira uma verdade incontestável. Que o diga Paul Joseph Goebbels, proeminente Ministro da Propaganda de Adolf Hitler, que parafraseio na introdução desta crônica. Com forte poder argumentativo, o político alemão percebeu que as pessoas são manipuláveis e que a propaganda é a arma e a alma do negócio. Naqueles tempos, quando nem o mais visionário dos loucos poderia antever um mundo todo conectado por uma rede que despeja milhões de informações por segundo, Goebbels usou os meios disponíveis: o rádio e o cinema. Com estas ferramentas, abusou do discurso de ódio contra os judeus e contra as ideias socialistas, dando força ao pensamento de superioridade da raça ariana.     
Quem tem como única fonte de informação os meios virtuais nos dias de hoje, pode constatar que Goebbels venceu. Sim: a mentira prepondera. Nem sempre salta aos olhos. Às vezes aparece disfarçada. Parece alguma salada que se consome até por indicação médica, mas, que, lá na origem, vem embalada por fortes doses de agrotóxicos, lançados por insuspeito agricultor mais interessado na beleza das folhas do que na qualidade efetiva do produto. A lagarta morre. A planta sobrevive. Mas, o veneno vem para a mesa. A saúde claudica ao longo do tempo. Porém, o dinheiro já circulou, gerou impostos e empregos. O mercado ficou satisfeito. E tudo parece que estava certo. Mas, não tava.

20/09/2017

Nossas façanhas

Gaúcho, na visão de Debret, século XIX
Houve um tempo em que boa parte do povo gaúcho desfilava com muito orgulho e animação. Aos olhos dos que aqui viviam, este pedaço de terra parecia destoar decisivamente do que se via nas estância localizadas acima do Mampituba. Era comum que se sentisse certa pena do pessoal lá de cima, eis que foram privados do paraíso. Repetiam-se, com alguma exaustão, nos encontros classistas que o Rio Grande detinha a melhor polícia, o melhor judiciário, os melhores políticos e assim por diante.
Alguns afoitos, talvez impulsionados pelos sentimentos de superioridade e pelo ímpeto de gabolice que sempre imperou por aqui, sentiram-se atraídos pelas teses separatistas. Há algumas décadas movimentos como o Sul é o Meu País eram levados a sério. Santa Catarina e Paraná não se entusiasmaram tanto. Os gaúchos ficaram tentando incluí-los sem sucesso. Enquanto isso, os dois estados vizinhos avançaram e a gauderiada ficou para trás. Teve, como se diz popularmente, um crescimento de rabo de cavalo: para baixo.

13/09/2017

Um quadro na parede


Imitação de quadro do pintor
italiano Giovanni Bragolin,
popular no Brasil
Fui à frente conferir que algazarra era aquela. Eram os filhos e filhas da vizinha que apontavam para o quadro Imaculado Coração de Maria de minha mãe, que estava pendurado na pobre sala de casa. Com os dedos indicadores e mínimos de suas pequenas mãos formando chifres que eram direcionados à pintura. “É do diabo, é do diabo”, diziam os vizinhos, crentes recém-convertidos e dotados de incomum fome em caçar na vizinhança os objetos do satanás. No fundo tinham a boa intenção de salvar a humanidade, mas, a ignorância e a intolerância eram tantas que talvez impedissem que salvassem a si mesmos.
Anos depois, na mesma vila e nas vilas de todo o mundo, o alvo foi outro quadro. O Menino Chorando, que se reproduzia aos milhares, foi implacavelmente perseguido. O quadro, segundo os boatos, era maldito. Dizia-se, ainda, que o pintor havia feito um pacto com o diabo e, diante disso, as casas que tinham a pintura na parede estavam sujeitas a incêndios e mortes de crianças. Os boatos iam mais longe: o próprio filho do pintor teria morrido logo após o término da obra. Em alguns lugares do mundo, como na Inglaterra, promoveram-se grandes queimas em praças públicas.
Também o fogo consumiu os LPs de disco music, nos Estados Unidos, no começo dos anos 80. Tudo isso porque um DJ de uma rádio, que não apreciava o gênero, identificou no estilo musical uma ameaça aos valores americanos. Talvez tenha pesado para isso o fato de que as grandes estrelas da disco music eram negras.

06/09/2017

Brasil: esperança e desilusão

Acredito que o Brasil é a grande potência mundial. Não ria. Estou falando sério. Talento natural não falta ao brasileiro. Nem só no futebol, é claro. Na música (música de verdade) há inúmeros cantores e compositores que transitam com alguma facilidade juntando plateias respeitáveis em diversas partes do mundo. Nas artes plásticas, na tevê, na publicidade e propaganda, nos estúdios de produção cinematográfica, na literatura, enfim, há muito brasileiro batendo um bolão no estrangeiro.
Mesmo em alguns setores carentes do olhar dos administradores, como a pesquisa científica, onde os recursos públicos mínguam a cada orçamento, o país ainda consegue algum destaque, colocando pelo menos quatro nomes entre os mais influentes do mundo, segundo aponta estudo produzido pela empresa Thomson Reuter, em 2016.

04/09/2017

Sei lá!

"O grande desafio é saber o que importa neste entulho de coisas. O que se faz com tanta informação? Para quê tanta opinião? E o que o indivíduo realmente ganha em acompanhar tanta notícia, tanta novidade?"

......

Os dias atuais escondem um desafio inimaginável. Lá nos anos 90,  pensadores pregavam que a informação seria a base do futuro. Quem tivesse informação estaria incluído nos novos tempos. Os outros, desinformados, seriam ultrapassados como carroças puxadas por cavalos magros numa estrada asfaltada onde velocíssimos veículos passam sem ao menos levar em conta as placas que anunciam velocidade máxima em 110 km/h.
Meia verdade. A realidade atual é do indivíduo multiconectado: celulares, sites de notícias, televisão, rádio, canais de vídeos, aplicativos e mais aplicativos geram uma atualização simultânea sobre o que está acontecendo no mundo neste exato instante. O tempo em Jacarta, a cotação do dólar, a produção agrícola na china, a bolsa de não sei aonde. É possível saber de tudo. Tudo mesmo. E na hora que se quer.

23/08/2017

O Medo do Escuro

Tinha medo de escuro. Era um menino pequeno. Algumas vezes o medo era muito maior do que ele. Sua mãe vivia dizendo que o escuro era só a ausência de luz. E que a falta de luz era momentânea. Não adiantava nada. À noite, quando seguia para seu quarto, era sofrimento na certa. Se ao escuro sobreviesse vento e chuva, então o pavor tomava conta.  Se um raio inventasse de rasgar o céu e se dirigir perigosamente em direção ao chão, o pavor tomava conta do serzinho. O cobertor se movimentava em direção à cabeça. O coração saía do lugar e tentava passar pela sua boca pequena. Faltava ar embaixo das cobertas.  Depois de uma luta enorme, o cansaço vencia o medo. Lentamente, chuva, vento, trovões e raios iam ficando para trás. Os olhos fechavam e se entregavam à falta de luz.

17/08/2017

Sou Nazista Sim

"Na realidade, o que os manifestantes fizeram foi assumir publicamente aquilo que todos bem sabem: há seres que se consideram superiores aos outros e lutam para sufocar os demais. O nome disso é ignorância".

                                                                                                                                      
Os dias passam e a humanidade aparentemente vai se distanciando dos seus atavismos primitivos. Aparentemente, disse eu. Não apostemos muito na mudança. Ela vem, mas muito lentamente. Podemos apostar isso sim, que há sentimentos escondidos esperando o momento oportuno para serem revelados. Assim, o que parece superado, que parece adormecido em algum canto, bem que pode ser revivido quando meia dúzia de inconsequentes fanfarrões se une para defender uma bandeira.
Recentemente, nos EUA, realizou-se uma passeata para ressaltar a primazia da raça branca. A façanha, batizada de Sou Nazista Sim, juntou homens, mulheres e crianças que unidos marcharam gritando palavras de ordem contra gays, negros, judeus e imigrantes. Por trás de tudo isso o desejo de fortalecer o discurso de direita.  
Na realidade, o que os manifestantes fizeram foi assumir publicamente aquilo que todos bem sabem: há seres que se consideram superiores aos outros e lutam para sufocar os demais. O nome disso é ignorância.

11/08/2017

Os Ratos e a Revisão

Quem trabalha com impressos sabe muito bem: é necessário revisar, revisar e revisar, sempre. Mesmo assim, revisado, revisado e revisado, o produto final pode surpreender o leitor mais atento. Jornais e revistas já foram às bancas com erros constrangedores nas capas, contracapas e matérias especiais. É da vida. Há alguns erros que se tornam clássicos como o de um jornal do interior do Paraná que publicou uma manchete tentando acalmar a população local que passava por num momento de grande preocupação com surtos de gripe: “Gerente da Saúde garante que não vai faltar vagina”. Imagino uma corrida às bancas para garantir o curioso exemplar.

07/08/2017

Os Leões

A história seria diferente se quem a contasse fossem os leões e não os caçadores de leões, diz um sábio ditado africano. Se os escravos africanos, capturados em suas tribos e levados à força mundo afora para construir riquezas, fossem os historiadores de seu tempo, certamente os livros seriam romances recheados de cenas de terror, de dor e de medo, tal a agressividade reinante nesta relação entre os colonizadores e os bichos-homens da África. Os negros africanos, segundo religiosos europeus e boa parte da elite pensante, eram animais brutos. Não tinham alma. Assim, a escravidão era uma benção, pois colocava a fera em contato com a cultura de homens civilizados, sábios, conhecedores da vida, da justiça e tementes a Deus.

26/07/2017

A Liberdade de Escolha

 Os soldados derrotados nas batalhas tornavam-se escravos dos vencedores. A força da vitória impunha a submissão. Os vencidos alienavam suas crenças, seus bens, suas vidas. Tornavam-se sombras daquilo que foram um dia. Perdiam a voz. Perdiam a liberdade. Perdiam tudo.  Alternativas não existiam. A lei era essa. O jeito era vencer as batalhas e subjugar o outro.  No caso de insucesso, muitos guerreiros preferiam a morte no campo de batalhas. A morte assegurava alguma dignidade. A escravidão nenhuma.
 Naqueles tempos primitivos, onde a vida se resumia a meia dúzia de convenções, tudo era muito simples. A submissão de um derrotado era algo justo, certo e incontestável. Não sobravam dramas de consciência e nem lamuriações quanto à injustiça da medida. Os deuses assim queriam e pronto. Não se falava mais nisso porque ninguém era louco em afrontar os deuses da guerra.

20/07/2017

Os dias frios


Os últimos dias têm sido implacáveis em termos de temperatura.  Os termômetros despencaram. De um improvável veranico de julho fomos jogados num inverno rigoroso, daqueles com direito a chuva, vento e neve no noticiário da tevê.  De camisetas e bermudas a blusões pesados, casacos e toda a parafernália que se encontrava guardada nos roupeiros de quem tem.
Na fruteira, um vento gelado entrava quase sem respeito pela porta da frente entreaberta. Os viventes encasacados, que aguardavam a hora de pesar suas cenouras, beterrabas, chuchus, aipins e batatas doces, encolhiam-se a cada lufada mais forte.  Alguém disse que saiu desprevenido.  Dentro de casa é quentinho. Saiu pela garagem. Dentro do carro também não sentiu muito bem a temperatura ambiente.  Achou que não era tão frio. Quando o nariz encarou o ar gelado, o arrependimento tomou conta do indivíduo. Havia colocado pouca roupa para o tamanho do frio que se apresentava.

05/07/2017

Conhecer a si mesmo

No mundo da filosofia há milhões de ideias, milhões de fórmulas e de receitas. Há remédio para tudo. Porém, entre todos os pensamentos, talvez o mais simples deles seja, também, o mais complexo.  Apesar de altamente conhecido, não há certeza sobre quem o pronunciou. Para muitos foi Tales de Mileto. Para outros tantos foi Sócrates, Heráclito ou Pitágoras. O aforismo grego “conhece-te a ti mesmo” é um desses pensamentos que se adaptam a inúmeras situações da vida e pode servir de passaporte para viagens intermináveis na busca pelo aperfeiçoamento do indivíduo.
Inscrita na entrada do templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o deus grego do sol, da beleza de da harmonia, a frase aparece em inúmeras manifestações religiosas no sentindo de incentivar o mergulho interno do indivíduo.

29/06/2017

Os ditados populares

"Não adianta chorar o leite derramado"
Os provérbios são aquelas expressões prontas que ditas e repetidas de longa data tornam-se fórmulas mais que perfeitas para descrever uma situação, sem exigir grandes esforços intelectuais. Carregam alguma sabedoria e se adaptam às situações do dia a dia. Porém, o uso reiterado dos tais ditados populares vai reduzindo a linguagem chavões, que vão apequenando o processo de comunicação entre as pessoas.  Portanto, muito cuidado quando algum ditado aparecer no meio da conversa.  Atenção é importante.  Além disso: “cuidados e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém”.

22/06/2017

Umas e Outras

VOZ DO BRASIL – Segunda-feira deu na Voz do Brasil: “Pauta da Câmara ficará trancada neste período. Deputados aproveitam para visitar as festas juninas que tomam conta do interior do Nordeste”.  É uma piada pronta. Sabe-se que é significativo o número de parlamentares em todo o país que não dispensam uma quadrilha. 

FRIO/CALOR/FRIO – Um dia a temperatura chega a quatro graus aqui no Rio Grande. Casacos, luvas, mantas, gorros, vinhos e, porque não, quentões e tudo mais o que é de direito. No outro, larga dos quinze e pode chegar a vinte e sete. Haja jogo de cintura e repertório para suportar essa ciranda!

16/06/2017

As Vergonhas

"Alguns povos não por falta de etiqueta, mas por razões culturais, até hoje não usam os utensílios na mesa.  Na Índia, por exemplo, somente os locais mais ocidentalizados, como os restaurantes e nos grandes centros, é possível servir-se conforme s nossos costumes".

...

Nem sempre as coisas foram como são. Houve um tempo, que a memória humana impede que alguém se lembre, que nada tinha nome. Os costumes eram outros. Os utensílios eram outros ou nem existiam. Em síntese, o mundo era outro, mais simples, mais grosseiro, sem tantas alternativas e confortos.
Os povos antigos, por exemplo, atacavam a mesa com total falta de finesse. Aliás, mesa não existia. No quadro A Última Ceia, Jesus está cercado de apóstolo ao redor de uma grande mesa bem posta, com toalha, pratos e talheres. Liberdade criativa de Leonardo Da Vinci. A mesa de jantar, com tolha, talheres copos e pratos foi introduzida somente no século XIV, ou seja, 1300 anos depois da cena retratada pelo genial pintor italiano.  Nos tempos de Jesus de Nazaré, os homens humildes usavam as mãos para comer os alimentos sólidos, como carne e raízes, e colheres para os líquidos. Mesmo a alta classe atacava à mesa sem nenhuma parcimônia.

06/06/2017

Jogando no Campinho

Quando era ainda um piá, vivia correndo pelos campinhos atrás de uma boa partida de futebol. Havia ainda na cidade vários campos. Não eram tantas as casas e nem tantos edifícios. Nossa exigência também não era muito grande.  Um terreno baldio, desses de pouco mais de 12m x 30m já era suficiente para abrigar uma gurizada disposta a dar uns chutes, fazer uns gols e gastar alguma energia que se revelava num caldo que escorria rosto abaixo ensopando a velha camiseta e até o calção puído.
O tamanho do campo variava de acordo com o número de jogadores. Goleirinha de um ou dois passos, feita de chinelos havaianas ou de latas de azeite ou, ainda, de qualquer objeto que pudesse demarcar as traves imaginárias, quando se juntavam quatro, cinco ou seis. Todos na linha. O goleiro jogava com os pés também: era o goleiro-linha.
Se o número de garotos fosse maior, o jogo crescia de interesse e de organização. Um dos times tirava a camisa para não dar confusão. Se o frio era demais, esperava-se um pouco até o corpo esquentar. Depois de um tempo, fazia-se um sorteio para ver quem tirava a camisa. Manter a camisa no corpo era uma vitória. Vibrava-se como se um gol fosse marcado. Nos dias quentes, a vitória era daquele que se despia.

29/05/2017

Pílulas de Felicidade

A vida ideal é aquela das redes sociais. Sorrisos, festas, viagens, jantares com amigos e algum espumante para relaxar porque ninguém é de ferro.  O amor está no ar. É proibido deprimir. A palavra de ordem é felicidade. A imagem diz tudo: “todo o mundo está feliz aqui na Terra”. Sem frustrações. Sem desânimos.
A imagem de felicidade difundida com exaustão nos meios virtuais passa muito longe da realidade vivida por quase a totalidade das pessoas. Segundo algumas pesquisas, esta falsa imagem retroalimenta a frustração dos inveterados navegadores. A inveja boa é ficção. Inveja é inveja e pronto. Inveja  é inveja sempre. E o quê resta para quem está dando duro nestes frios e chuvosos enquanto algum amigo está se refestelando  nas zonas mais quentes do planeta? Dou-he uma, dou-lhe dia, dou-lhe três...

25/05/2017

Política e futebol

Política e futebol são dois assuntos dos mais atrativos. São duas artes onde a criatividade dos atores se revela. Há política em tudo. A vida diária das pessoas comuns é influenciada pela política. O indivíduo pode gostar ou não, pode entender ou não: não importa, a política vai influenciar no seu dia a dia. É o preço do combustível, o falho sistema de saúde, a falta de professores nas escolas, a definição de regras para mercado,  o torniquete que aperta o pescoço do trabalhador. Enfim, os políticos influenciam sim no ânimo coletivo, nos sonhos, nas ansiedades, nos planos ou na falta de planos e perspectivas, gostemos ou não.
O futebol, importante para parcela significativa da população, é menos impactante, é claro. Mas, ainda assim, é arrebatador para muitos. O futebol é espetáculo, é negócio, é indústria. Mas é, também, paixão. Para muitos é a própria vida. Não é exagero não. Há quem não saiba grande coisa sobre a vida nacional, sobre o funcionamento das coisas, mas sabe a tabela do Brasileirão da primeira à última rodada.  Outros gastam tempo e mais tempo fazendo elucubrações  táticas, prevendo avanço de laterais, cobertura de volantes, atacantes com funções múltiplas, criando linhas imaginárias no campo defensivo e ofensivo onde as peças vão se colocando para inviabilizar os perigos que a outra equipe poderia oferecer.

08/05/2017

Felicidade em tempos de crise

"Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça".

Sabe aquela novela que praticamente mudou a forma de contar um folhetim televisivo? Não assisti! Aquela outra que apresentou a favela, com seus pequenos e grandes dramas, fugindo dos apartamentos bem decorados da zona sul carioca? Pois é, também não assisti! Não é brincadeira, não. Creio, mesmo, que meu currículo está recheado de algumas dezenas de novelas não vistas. Talvez possa esteja atingindo à marca de uma centena. Afinal, são algumas décadas afastado das lides novelescas.
Apesar desta aparente aversão, não tenho preconceito. Só não vejo. Não vejo porque não gosto da linguagem. Aproveito o tempo para ler alguma coisa, ver algum outro tipo de programa, documentário ou mesmo algo totalmente lúdico nos canais de tevê por assinatura. Porém, quando ainda assistia com alguma regularidade à programação dos canais abertos, cheguei a ver uma campanha publicitária de lançamento de um destes folhetins onde uma personagem dizia que só seria feliz quando juntasse seu primeiro milhão. Não sei o nome da novela, muito menos os nomes dos personagens. Mas, posso garantir que a moça não encontrou a felicidade na marca do primeiro milhão. Se é que juntou alguma coisa, é certo que a meta foi se movendo cada vez mais para frente e a sua felicidade, assim, foi sendo adiada. 
A busca da felicidade está na berlinda. Místicos, pensadores, escritores e filósofos têm se debruçado mais e mais sobre a caminhada humana em direção a este alvo móvel e escorregadio. Onde se encontra esta tal felicidade? Como se chega até ela? Quem chega até ela?
Meu amigo Jerri Almeida (foto acima), professor, palestrante e escritor, não foge da raia e enfrenta o desafio. Está lançando seu novo livro Felicidade em tempos de crise. A obra tem a chancela da Livraria e Editora Francisco Spinelli, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, destacando-se pelo cuidado editorial. Não é um livro religioso, moralista. Apresenta isto sim, uma interessante abordagem destacando os aspectos filosóficos, científicos, sociológicos e espirituais sobre a caminhada humana e seu constante anseio por atingir o estado de felicidade. Não é pouca coisa. Daria muito mais do que uma novela.  Dezenas delas, talvez.  

03/05/2017

O Medo e a Morte

“Eu tenho medo e já aconteceu/ 
Eu tenho medo e inda está por vir/ Morre o meu medo e isto não é segredo/ 
Eu mando buscar outro lá no Piauí”*

Um dia alguém disse que tudo isso que nos rodeia nem é real. É uma ilusão. A verdade estaria bem longe do aparente. E só a percebe quem se desprende deste cenário. Confesso que, por mais que tentasse, a mim sempre pareceu mais uma destas tantas teses loucas que saltam de livros escritos ou ditados por místicos, por gurus ou por seres que nem corpo físico possuem.
Senti certo alívio ao ver que a dificuldade não era só minha. É mesmo muito difícil crer e até mesmo admitir que o que os olhos enxergam não existe. Mas, o tempo passa e cada vez mais começo a admitir que os nossos olhos nos enganam. E o Brasil está aí, nem tão firme nem tão forte, para ajudar nesta intrincada questão.

26/04/2017

Outros tempos

Os tempos são outros. As pessoas são outras. As diversões são da mesma forma, outras. Mas, os dramas se repetem. As preocupações de pais e de mães são os mesmos de 20, 30, 50 anos atrás. Lá no passado, meio distante é verdade, tudo o que era novo representava a falência do indivíduo e da família. Foi assim quando surgiu o rock and roll, nos anos 50,nos EUA. A música alta, frenética, punha corpos de jovens a dançar loucamente. Meninos e meninas saíam do sério. O ritmo demoníaco mostrava que o mundo chegava ao seu fim.
A televisão foi outra que chegou causando certo furor. No começo, porém, era programa de família. O pai ligava o aparelho no começo da noite. Naqueles tempos, ligar o botão e selecionar um canal para assistir um ou outro programa era um acontecimento. A presença do chefe da casa era o reconhecimento explícito de que ver tevê era coisa séria. Os pequenos não eram autorizados nem a pensar na ousada iniciativa de ligar o aparelho fora do horário estabelecido.

17/04/2017

A arte

Um filme, uma música, uma pintura, uma obra de arte qualquer vai além da câmera, das luzes, dos enquadramentos, da edição, da partitura, do arranjo, do ritmo, ou da tela, dos pincéis e da moldura. O expectador assiste a um filme não como se residisse ali alguma falsidade, alguma interpretação. A história existe por si só. Ela é viva. Ficção científica, comédia, drama. Não importa: há verdade, dor, riso, sofrimento e tudo o quanto os personagens revelam nos diálogos, nos atos e nos gestos.
Uma pintura bucólica deixa de ser uma simples pintura quando recepcionada por um olhar acolhedor e sincero. A tinta deixa ser tinta. Ganha vida. Envolve e convence. Emociona se o sujeito assim permitir.

10 anos: o desafio

Manter órgãos de imprensa nos pequenos centros é um desafio diário. Rádios e jornais locais navegam contra a maré, permanentemente. Os grandes anunciantes preferem gastar muito dinheiro nas redes nacionais e regionais. Criam, com isso, um padrão. Não importa se o indivíduo está nos interiores do Nordeste ou enfrentando o outono às vezes frio e às vezes quente no Sul do país: todos sabem que ingresso para o Rock in Rio tem lá no Posto Ipiranga.
A verba se esgota na rede nacional. Dá visibilidade. Vende bem. Afirma a marca. Uma corrida pelas ruas da cidade, um circuito pelas lagoas, um show de jovens talentos na praça da cidade, uma campanha de solidariedade  ou uma iniciativa qualquer importante dentro de uma comunidade não seduz o grande anunciante nem a grande mídia. Ali não está o Posto Ipiranga.
A dificuldade aumenta quando a crise aperta. Na província então, o aperto é sentido com maior intensidade. A primeira ação de um pequeno empresário é não confiar em publicidade.  Em sua contabilidade verá publicitária como gasto nunca como um investimento. E há razões concretas para isso: há encargos e mais encargos, custos fixos e variáveis que crescem sem o necessário crescimento das vendas e uma série de outros eventos que os administradores têm na ponta da língua. Enfim, um ciclo que parece nunca acabar.

06/04/2017

O Futuro

Em regra, a ficção científica apresenta um futuro sombrio para a humanidade. Nosso planeta passará por uma séria fase de desatinos até que a vida por aqui se torne insuportável. A humanidade, então, tratará de criar alguma forma de garantir que meia dúzia de seres sobreviva à hecatombe. Esse minúsculo grupo sairá por aí tentando reconstituir tudo o que foi destruído pelo desatino da grande maioria ou, ainda, pela insensatez de algum poderoso líder, movido pela ganância, que comprometeu a existência humana.
O grande problema para os remanescentes será viver entre os escombros ou em alguma estação espacial. Se ficarem por aqui, certamente enfrentarão a radiação que infectará os recursos naturais. Se, por outro lado, ficarem orbitando em algum ponto do espaço, é mais do que certo que precisarão de um porto seguro.

03/04/2017

Filme Triste

A impressão que se tem nestes dias é de que vivemos em uma embarcação perigosamente lançada em meio a corredeiras. O capitão tem pouca prática. Os marujos, da mesma forma, são especialistas em juntar tesouros, porém, mal sabem executar as tarefas que garantam alguma segurança à tripulação.  O serviço que importa este momento: cruzar as águas violentas e traiçoeiras não é prioridade. Estão todos, capitão e marujos, preocupados em posição de defesa, escondendo os baús cheios de moedas de ouro e pedraria que amealharam aqui e ali. Faz-se irritante silêncio. Dizem as más línguas que acordos são costurados aqui e ali. Muito confete, muita serpentina, muita manchete e ações deliberadamente lentas para um lado e rápidas para o outro. O enredo é arrastado. Os mocinhos são canastrões. Só os ingênuos não enxergam que estamos diante duma peça de teatro mal ensaiada. Os atores são medíocres. Mas convencem quem quer se convencido.

O Governo

Quando surgiram por aqui, os humanos tinham como única meta a sobrevivência. As questões filosóficas não faziam parte das preocupações cotidianas. O objetivo básico era manter-se vivo. E não eram poucos os obstáculos: as temperaturas extremas, as feras, a falta de recursos, a falta de conhecimento. Viver mais um dia era um desafio.  A felicidade possível era a possibilidade de dormir e acordar para enfrentar um turbilhão de dificuldades. Deus não existia ainda. O paraíso não era aqui.
Como vasos ruins, os mais fortes não se deixaram quebrar. Com raro esforço, foram vencendo o frio, as tempestades, os trovões, a falta de comida. Eliminaram os inimigos naturais um a um. Chegou um tempo, depois de muito suor, de sofrimento e de medo que alguns poucos puderam estender o olhar para o entorno. Já não havia tanto perigo. Já sabiam defender o corpo. Já eram maiores que as feras que outro dia os eliminavam.

20/03/2017

A Ética do Ladrão

Nos tempos românticos, escolas e igrejas não eram assaltadas. Os ladrões mantinham algum resquício de ética. Talvez resultado do apego emocional. Algum respeito à professorinha e, quem sabe, medo de alguma retaliação da divindade? Não importa. Merenda escolar, equipamentos usados para a educação e o ambiente sagrado eram isentos da ação danosa dos meliantes. Este tempo foi superado. Tanto que nem é mais notícia. Somente os jornais mais populares e as rádios locais noticiam estas ações. Escolas da periferia os grandes centros estão impedidas de manterem televisores, monitores, computadores, notebooks, projetores e mesmo estoque de comida. Tudo vira moeda no comércio de pedras de crack.

14/03/2017

A Esperança

"A Esperança é o sonho do homem acordado". Aristóteles.

Comodamente sentado na frente de um computador, na repartição onde trabalha o indivíduo, gozando da bondade de um ar condicionado que transforma o calorão em um quase inverno, vocifera de vez em quando: “no passado não acontecia estas coisas”. Demonstra que gostaria isto sim, que uma ordem muito forte imperasse neste Brasil de Deus. A verdade é que sente saudade da ditadura. Acredita piamente que algumas estocadas de baioneta, somadas à liberdade de manifestação acabariam com esta bagunça generalizada que ocorre no país. Para evitar que passe batido, um de seus colegas argumenta que a pior democracia é melhor que a melhor das ditaduras. Mas ele não ouve. E nunca ouvirá. Está convencido. Os males do Senado, da Câmara, a roubalheira que impera em todos os níveis, a falta de pudor, a ineficiência das leis, está tudo errado neste pedaço de chão. E tudo é tão simples, bastava uma direção segura e armada, dura, inflexível, para que, num passe de mágica, estes problemas fossem superados.

09/03/2017

Os Fragmentos

GURU - O guru indiano tem barbas longas e brancas. Olha para a câmera e fala. Discorre sobre a vida. Tem alguma dose de humor. Não o escrachado. É um humor sutil. Brinca sobre os costumes tradicionais, sobre os padrões religiosos, sobre a tendência do culto à personalidade, sobre a posse do objeto. Fala de tudo um pouco.
Algumas vezes diz coisas que me dizem respeito. Outras nem tanto. Pelo menos por enquanto. Dia desses falou algo que pensei. Pensei em escrever, mas não escrevi. Isso é recorrente. Nas minhas caminhadas frequentes, penso, elaboro teses e mais teses, concebo uma crônica todinha ou em fragmentos, respondo perguntas que não respondi há algum tempo quando as palavras me faltaram, faço discursos mais empolados ou mais diretos.

16/02/2017

Filtros dos Sonhos

Palavras- Palavras ditas nem sempre são palavras sentidas. “-Bom dia! Como vai?”. “-Vou bem, muito bem!”, responde o indivíduo carregando no peito sua dor, seu sofrimento ou seu sentimento que, naquele instante, não é conveniente expressar pela boca. Tivessem mais tempo, mais intimidade, mais liberdade e o papo seria outro. Na fila do banco ou da padaria, na entrada da escola ou na lotérica, em meio a senhas, carnês e faturas, cheiros de pães e roscas, demoras e incômodos, não há como há alongar conversas. Na rapidez exigida, sobra a fórmula pronta. E assim: “estamos todos bem”.

09/02/2017

Velho Museu

Museu do Índio-RJ/ /Arte sobre foto
Bem-vindos aos novos tempos. É tempo de opinião. Vale aquilo que se pensa. E, de preferência, se tu pensares como eu penso. Se compartilhares o que posto. Se curtires as minhas verdades. Os fatos? Às favas com os fatos. Entre os fatos e as opiniões fiquemos com as opiniões porque elas variam e os fatos não. Elas apresentam a beleza do movimento. A inquietude do subjetivo que pode mudar amanhã, depois ou sempre.O juiz apontou pênalti. Não importa que tenha sido. Importa nada se o zagueiro, malandramente, tenha cutucado o avante pelas costas, jogando-o ao chão. O que mais conta é que, nos tempos do primário, o juiz, que era ruim de bola, disse para alguém que torcia para o colorado. Isso é o que importa. Assim, hoje, se ele marca um pênalti não é porque seus olhos viram, porque sua perspicácia, treinada por anos a fio com um apito na boca, tenha alertado para a infração. Nada disso. A verdade é que sua decisão foi tomada muito antes. Foi tomada quando nasceu. E não poderia ser diferente.