22/06/2017

Umas e Outras

VOZ DO BRASIL – Segunda-feira deu na Voz do Brasil: “Pauta da Câmara ficará trancada neste período. Deputados aproveitam para visitar as festas juninas que tomam conta do interior do Nordeste”.  É uma piada pronta. Sabe-se que é significativo o número de parlamentares em todo o país que não dispensam uma quadrilha. 

FRIO/CALOR/FRIO – Um dia a temperatura chega a quatro graus aqui no Rio Grande. Casacos, luvas, mantas, gorros, vinhos e, porque não, quentões e tudo mais o que é de direito. No outro, larga dos quinze e pode chegar a vinte e sete. Haja jogo de cintura e repertório para suportar essa ciranda!

ESPELHO, ESPELHO MEU – O chefe da nação deu um tempo: foi ali na Rússia. Antes, porém, lançou uma nota dizendo que bandidagem com ele não terá vez. E disse mais: alimenta desejo forte de que sejam punidos exemplarmente. No rádio, o analista disse que talvez isso só sirva para os bandidos que estão longe de Sua Excelência, o mandatário. Presumo que, talvez, esteja faltando espelho no Palácio. Só pode!

MUTAÇÃO – O Tricolor dos Pampas já não é mais o mesmo. Deixou o arcaico jeito de jogar na superação, com suor excessivo e pouca inspiração para assumir um protagonismo que gremistas não estavam acostumados. Está se dando ao luxo de jogar de meias brancas. É meio Flamengo dos tempos áureos. Brinca de jogar. Dá gosto de ver. Vai perder uma que outra o Brasileirão. Mas, ao menos mostra talento. Que timezinho esse com jeito de campeão. Se vai dar, não sei! No futebol nem sempre o melhor leva o troféu... Eu disse, nem sempre!


FELICIDADE – Meu amigo Jerri Almeida, que lançou recentemente o livro Felicidade em Tempos de Crise, andou pelos EUA falando sobre Doutrina Espírita. É muito bom saber que em todo o mundo se amplia o interesse por temas ligados à espiritualidade. Melhor ainda quando esta vontade é demonstrada na América do Norte, onde os fenômenos espíritas surgiram com força e grande estardalhaço, no século XIX, chamando a atenção do francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde tornou-se conhecido mundialmente como Allan Kardec.  Os tempos são outros, é verdade. O interesse também. 

16/06/2017

As Vergonhas

"Alguns povos não por falta de etiqueta, mas por razões culturais, até hoje não usam os utensílios na mesa.  Na Índia, por exemplo, somente os locais mais ocidentalizados, como os restaurantes e nos grandes centros, é possível servir-se conforme s nossos costumes".

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Nem sempre as coisas foram como são. Houve um tempo, que a memória humana impede que alguém se lembre, que nada tinha nome. Os costumes eram outros. Os utensílios eram outros ou nem existiam. Em síntese, o mundo era outro, mais simples, mais grosseiro, sem tantas alternativas e confortos.
Os povos antigos, por exemplo, atacavam a mesa com total falta de finesse. Aliás, mesa não existia. No quadro A Última Ceia, Jesus está cercado de apóstolo ao redor de uma grande mesa bem posta, com toalha, pratos e talheres. Liberdade criativa de Leonardo Da Vinci. A mesa de jantar, com tolha, talheres copos e pratos foi introduzida somente no século XIV, ou seja, 1300 anos depois da cena retratada pelo genial pintor italiano.  Nos tempos de Jesus de Nazaré, os homens humildes usavam as mãos para comer os alimentos sólidos, como carne e raízes, e colheres para os líquidos. Mesmo a alta classe atacava à mesa sem nenhuma parcimônia.

06/06/2017

Jogando no Campinho

Quando era ainda um piá, vivia correndo pelos campinhos atrás de uma boa partida de futebol. Havia ainda na cidade vários campos. Não eram tantas as casas e nem tantos edifícios. Nossa exigência também não era muito grande.  Um terreno baldio, desses de pouco mais de 12m x 30m já era suficiente para abrigar uma gurizada disposta a dar uns chutes, fazer uns gols e gastar alguma energia que se revelava num caldo que escorria rosto abaixo ensopando a velha camiseta e até o calção puído.
O tamanho do campo variava de acordo com o número de jogadores. Goleirinha de um ou dois passos, feita de chinelos havaianas ou de latas de azeite ou, ainda, de qualquer objeto que pudesse demarcar as traves imaginárias, quando se juntavam quatro, cinco ou seis. Todos na linha. O goleiro jogava com os pés também: era o goleiro-linha.
Se o número de garotos fosse maior, o jogo crescia de interesse e de organização. Um dos times tirava a camisa para não dar confusão. Se o frio era demais, esperava-se um pouco até o corpo esquentar. Depois de um tempo, fazia-se um sorteio para ver quem tirava a camisa. Manter a camisa no corpo era uma vitória. Vibrava-se como se um gol fosse marcado. Nos dias quentes, a vitória era daquele que se despia.

29/05/2017

Pílulas de Felicidade

A vida ideal é aquela das redes sociais. Sorrisos, festas, viagens, jantares com amigos e algum espumante para relaxar porque ninguém é de ferro.  O amor está no ar. É proibido deprimir. A palavra de ordem é felicidade. A imagem diz tudo: “todo o mundo está feliz aqui na Terra”. Sem frustrações. Sem desânimos.
A imagem de felicidade difundida com exaustão nos meios virtuais passa muito longe da realidade vivida por quase a totalidade das pessoas. Segundo algumas pesquisas, esta falsa imagem retroalimenta a frustração dos inveterados navegadores. A inveja boa é ficção. Inveja é inveja e pronto. Inveja  é inveja sempre. E o quê resta para quem está dando duro nestes frios e chuvosos enquanto algum amigo está se refestelando  nas zonas mais quentes do planeta? Dou-he uma, dou-lhe dia, dou-lhe três...

25/05/2017

Política e futebol

Política e futebol são dois assuntos dos mais atrativos. São duas artes onde a criatividade dos atores se revela. Há política em tudo. A vida diária das pessoas comuns é influenciada pela política. O indivíduo pode gostar ou não, pode entender ou não: não importa, a política vai influenciar no seu dia a dia. É o preço do combustível, o falho sistema de saúde, a falta de professores nas escolas, a definição de regras para mercado,  o torniquete que aperta o pescoço do trabalhador. Enfim, os políticos influenciam sim no ânimo coletivo, nos sonhos, nas ansiedades, nos planos ou na falta de planos e perspectivas, gostemos ou não.
O futebol, importante para parcela significativa da população, é menos impactante, é claro. Mas, ainda assim, é arrebatador para muitos. O futebol é espetáculo, é negócio, é indústria. Mas é, também, paixão. Para muitos é a própria vida. Não é exagero não. Há quem não saiba grande coisa sobre a vida nacional, sobre o funcionamento das coisas, mas sabe a tabela do Brasileirão da primeira à última rodada.  Outros gastam tempo e mais tempo fazendo elucubrações  táticas, prevendo avanço de laterais, cobertura de volantes, atacantes com funções múltiplas, criando linhas imaginárias no campo defensivo e ofensivo onde as peças vão se colocando para inviabilizar os perigos que a outra equipe poderia oferecer.

08/05/2017

Felicidade em tempos de crise

"Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça".

Sabe aquela novela que praticamente mudou a forma de contar um folhetim televisivo? Não assisti! Aquela outra que apresentou a favela, com seus pequenos e grandes dramas, fugindo dos apartamentos bem decorados da zona sul carioca? Pois é, também não assisti! Não é brincadeira, não. Creio, mesmo, que meu currículo está recheado de algumas dezenas de novelas não vistas. Talvez possa esteja atingindo à marca de uma centena. Afinal, são algumas décadas afastado das lides novelescas.
Apesar desta aparente aversão, não tenho preconceito. Só não vejo. Não vejo porque não gosto da linguagem. Aproveito o tempo para ler alguma coisa, ver algum outro tipo de programa, documentário ou mesmo algo totalmente lúdico nos canais de tevê por assinatura. Porém, quando ainda assistia com alguma regularidade à programação dos canais abertos, cheguei a ver uma campanha publicitária de lançamento de um destes folhetins onde uma personagem dizia que só seria feliz quando juntasse seu primeiro milhão. Não sei o nome da novela, muito menos os nomes dos personagens. Mas, posso garantir que a moça não encontrou a felicidade na marca do primeiro milhão. Se é que juntou alguma coisa, é certo que a meta foi se movendo cada vez mais para frente e a sua felicidade, assim, foi sendo adiada. 
A busca da felicidade está na berlinda. Místicos, pensadores, escritores e filósofos têm se debruçado mais e mais sobre a caminhada humana em direção a este alvo móvel e escorregadio. Onde se encontra esta tal felicidade? Como se chega até ela? Quem chega até ela?
Meu amigo Jerri Almeida (foto acima), professor, palestrante e escritor, não foge da raia e enfrenta o desafio. Está lançando seu novo livro Felicidade em tempos de crise. A obra tem a chancela da Livraria e Editora Francisco Spinelli, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, destacando-se pelo cuidado editorial. Não é um livro religioso, moralista. Apresenta isto sim, uma interessante abordagem destacando os aspectos filosóficos, científicos, sociológicos e espirituais sobre a caminhada humana e seu constante anseio por atingir o estado de felicidade. Não é pouca coisa. Daria muito mais do que uma novela.  Dezenas delas, talvez.  

03/05/2017

O Medo e a Morte

“Eu tenho medo e já aconteceu/ 
Eu tenho medo e inda está por vir/ Morre o meu medo e isto não é segredo/ 
Eu mando buscar outro lá no Piauí”*

Um dia alguém disse que tudo isso que nos rodeia nem é real. É uma ilusão. A verdade estaria bem longe do aparente. E só a percebe quem se desprende deste cenário. Confesso que, por mais que tentasse, a mim sempre pareceu mais uma destas tantas teses loucas que saltam de livros escritos ou ditados por místicos, por gurus ou por seres que nem corpo físico possuem.
Senti certo alívio ao ver que a dificuldade não era só minha. É mesmo muito difícil crer e até mesmo admitir que o que os olhos enxergam não existe. Mas, o tempo passa e cada vez mais começo a admitir que os nossos olhos nos enganam. E o Brasil está aí, nem tão firme nem tão forte, para ajudar nesta intrincada questão.

26/04/2017

Outros tempos

Os tempos são outros. As pessoas são outras. As diversões são da mesma forma, outras. Mas, os dramas se repetem. As preocupações de pais e de mães são os mesmos de 20, 30, 50 anos atrás. Lá no passado, meio distante é verdade, tudo o que era novo representava a falência do indivíduo e da família. Foi assim quando surgiu o rock and roll, nos anos 50,nos EUA. A música alta, frenética, punha corpos de jovens a dançar loucamente. Meninos e meninas saíam do sério. O ritmo demoníaco mostrava que o mundo chegava ao seu fim.
A televisão foi outra que chegou causando certo furor. No começo, porém, era programa de família. O pai ligava o aparelho no começo da noite. Naqueles tempos, ligar o botão e selecionar um canal para assistir um ou outro programa era um acontecimento. A presença do chefe da casa era o reconhecimento explícito de que ver tevê era coisa séria. Os pequenos não eram autorizados nem a pensar na ousada iniciativa de ligar o aparelho fora do horário estabelecido.